Diagnóstico do FMI à economia nacional revela um Estado praticamente falido, com impactos directos na imagem do país nos mercados, negócios e investidores internacionais

É este o diagnóstico que pode ler-se nas entrelinhas do relatório de mais de cem páginas sobre a economia nacional recentemente publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo a instituição, as políticas macroeconómicas permaneceram praticamente inalteradas desde a última avaliação em 2024 e as reformas críticas recomendadas, sobretudo consolidação fiscal e maior flexibilidade cambial, não saíram do papel.

O documento esteve no centro do debate público ao longo da semana finda, ocupando manchetes e alimentando fóruns de discussão nas redes sociais. Entretanto, o que nele se lê não constitui uma grande novidade ou alguma realidade “estranha” ao moçambicano ordinário. É, sim, a confirmação, com linguagem diplomática, técnica e sustentada por números oficiais, dos desafios que os moçambicanos enfrentam no seu dia a dia para a realização dos seus direitos económicos e sociais, numa economia fragilizada e com um Estado financeiramente de joelhos, com margens cada vez mais reduzidas para prover o mínimo exigível no âmbito do contrato social com os seus cidadãos.

Importa lembrar que este relatório não é apenas mais um documento técnico. Muitas vezes, é o verdadeiro cartão de visita do país nos mercados internacionais. É com base nele que investidores, credores e parceiros avaliam o risco de fazer negócios e investir.


O relatório decorre da missão realizada ao abrigo do Artigo IV dos Estatutos do FMI, mecanismo anual de supervisão através do qual a instituição avalia a situação macroeconómica, fiscal, monetária e cambial dos países membros. A missão esteve em Maputo entre 12 e 21 de Novembro de 2025, mantendo encontros com o Governo, o Banco de Moçambique e outros actores económicos. As conclusões são posteriormente discutidas e validadas pelo Conselho Executivo do Fundo.

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